A crise econômica que abateu vários países do mundo e mais recentemente o Brasil geraram desemprego expressivo, insegura e mais precarização do trabalho, mediante esse cenário desolador como preservar a satisfação e a motivação no trabalho?

Primeiro julgo ser importante adotarmos um enfoque teórico de compreensão do que seja motivação no trabalho e desmistificação do tema.

Sabemos que ninguém motiva ninguém, já que não existem “fórmulas mágicas” para envolver o outro ser humano que voluntariamente não o quer ser envolvido.

Entretanto, existem cuidados que as organizações podem adotar para evitar a desmotivação das pessoas. Aspectos internos da empresa favorecem ou dificultam na motivação e principalmente no sentimento de satisfação do trabalhador.

Fatores como liderança funcional, relações de grupos sólidas, salários e benefícios, plano de carreira e políticas organizacionais “verdadeiras” e não apenas de fachada, são essenciais na preservação do bem-estar e desejo voluntário do trabalhador de permanecer no emprego.

O trabalhador ao passar a ser “um colaborador” da empresa passa a ser o responsável exclusivo pelo seu trabalho com necessidade de pessoalmente buscar recursos para se auto motivar.

Esta premissa equivocada sobre o tema da motivação ainda pode ser reproduzida em muitos ambientes organizacionais.  Desta forma a insatisfação motivacional é um problema isolado “do indivíduo”, ausentando-se o gestor de qualquer responsabilidade a respeito do assunto.

As características motivacionais estão associadas com a personalidade individual, embora pessoas façam coisas parecidas suas razões e maneiras de agir são diferentes.

Dentre as características para reconhecimento de um funcionário motivado de acordo com pesquisas como de Bergamini (1990) verifica-se:  Eficácia, ser um gerador de energia, alguém presente, uma pessoa feliz e positiva e identificada com o trabalho complementando harmonicamente com a sua vida pessoal. De acordo com o Estilo de Comportamento do ambiente haverá condições favoráveis ou não à participação, à ação, à manutenção e a conciliação entre as pessoas no local de trabalho.

Os ambientes de trabalho precisam resgatar o sentido de grupos coletivos, onde os fatores individuais e competitivos não imperem. Um clima de trabalho saudável, permeado por ajuda mútua, também melhoram a satisfação motivacional dos seus integrantes.

Para encerrarmos julgo fundamental lembrarmos que independente das condições econômicas de crise vigentes no país os empregadores não dever se esquecer que o trabalhador tem sua liberdade e não abdica incondicionalmente de sua dignidade de ser humano.

Psicóloga Clínica. Mestre em Psicologia do Desenvolvimento na Faculdade de Ciências da Unesp de Bauru-SP. Psicóloga Junguiana pelo Instituto de Psicologia Junguiana de Bauru. Especialista em Psicologia Clínica pelo Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais HRAC-USP. Atua principalmente em: Psicologia Perinatal, Qualidade de Vida e Saúde Ocupacional. Recente colaboração em capítulo do livro "Desvendando mitos da terapeuta familiar". Foi Supervisora na Saúde do Trabalhador do Hospital Estadual Bauru.

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