Apesar do constante avanço da tecnologia médica, o medo do paciente na hora de fazer um exame diagnóstico, ainda é um dos principais obstáculos da área que busca tornar as provas menos invasivas, incômodas e dolorosas para nossos clientes.

O medo de fazer exames clínicos, diagnósticos e procedimentos médicos existe e pode desencadear uma série de alterações psíquicas como ansiedade, ou somáticas como taquicardia, sudoração excessiva, tensão muscular, midríase, distúrbios gastrointestinais e outras próprias de um estado de alerta máximo, secundário a uma descarga de adrenalina.

Para termos uma ideia, aproximadamente 30% dos pacientes que realizam ressonância magnética sente ansiedade na hora de passar pelo equipamento e ainda 5% deles apresentam claustrofobia na hora de realizar este exame.

Algumas destas reações, provocadas pelo medo, dificultam o processo e podem interferir diretamente no resultado dos exames, o que altera o diagnóstico preciso e exige nova realização. O paciente que fica ofegante e tem falta de ar, por exemplo, pode prejudicar a qualidade de exames como tomografia computadorizada e ressonância magnética.

Para poder evitar estes eventos, aparte da tecnologia, precisamos de algumas intervenções mais humanizadas, com o intuito de proporcionar conforto, tranquilidade, segurança e bem-estar aos usuários de saúde.

Por exemplo, colocar uma criança para fazer ressonância magnética ou tomagrafia, pode ser uma experiência desagradável se não tivermos todos os cuidados para que este pequeno cliente se sinta à vontade durante o procedimento. Além do medo por ter na sua frente uma máquina enorme, que aparentemente vai engoli-lo, ficar longe da mãe, com pessoas estranhas, serão desencadeadores do desespero e choro.

Para esse caso, já podemos ver iniciativas de hospitais que transformam o aparelho de ressonância magnética ou tomógrafo num grande submarino, um castelo encantado ou um barco pirata, decoram a sala completa como se fosse o fundo do oceano, o espaço sideral ou uma floresta. Também existem mini aparelhos de brinquedo, que permitem à criança brincar e se familiarizar com os grandes equipamentos. Outra novidade é um sistema de entretenimento, que consiste em um par de óculos e fones de ouvido que reproduzem filmes, musicais e desenhos animados, dando a impressão, à criança, de estar em um cinema de verdade.

Nos adultos, os fatores que mais influenciam a desistência de fazer algum exame, são: o medo a um resultado negativo para sua saúde, achar o exame desnecessário, ou já não sentir os sintomas que o levaram ao médico. Neste caso, a implantação de um programa de educação do paciente se faz necessária, para poder incluir o paciente no seu próprio diagnóstico e tratamento. Conhecendo a importância de fazer os exames, o paciente colabora mais e comparece quase ao 100%.

Um dos testes onde o temor aparece em quase todas as mulheres é a mamografia. O simples fato de fazer uma mamografia, seja para descartar um possível câncer de mama ou por rutina, leva muita preocupação e medo do resultado. Aqui também, o preparo antes do exame e o conhecimento da importância dele e, sobretudo dos possíveis tratamentos, serão fundamentais para envolver, preparar e tranquilizar a paciente.

Outras formas de personalizar o ambiente para a realização da mamografia envolve paneis com temas específicos de acordo com preferencia da cliente. Cenas como o litoral, jardim, deserto ou cachoeira, ajudada com sons e odores próprios do tema escolhido, representam um ótimo aliado na hora de relaxar a pessoa.

Por isso, hospitais e laboratórios precisam investir em equipamentos e tratamentos especializados para tornar os métodos de exames diagnósticos menos invasivos e traumáticos, assim como um atendimento ideal, mais humanizado, personalizado e eficaz, transformando a expectativa dos clientes em uma experiência inesquecível.

Médico especialista em Administração Hospitalar e Marketing em Saúde. Autor do composto "10 P's do Marketing em Saúde". Professor do curso online Marketing Estratégico para Clínicas e Empresas de Saúde. CEO da HMDoctors, Assessor da Stratas Partners (Suíça) para o acesso ao mercado hospitalar brasileiro, Consultor de Gestão de Carreira e Marketing Médico, e Revisor de artigos e publicações sobre Gestão, Empreendedorismo e Marketing em Saúde para a revista eletrônica Gestão e Saúde da Universidade de Brasília - UNB. Formado em medicina com pós graduação em epidemiologia, formado em administração hospitalar e MBA em organizações hospitalares e sistemas de saúde pela FGV. 16 anos de experiência em hospitais públicos, privados, institutos de pesquisa clínica e consultor para empresas nacionais e multinacionais.

2 Thoughts to “Vencendo o Medo de fazer Exames Médicos.”

  1. Gabriela Miranda

    A ansiedade, a sensação de estar em um ambiente que não é a sua casa, nem o seu local de trabalho, nem o seu local de estudo, nem um ambiente familiar, com pessoas que você nunca viu, ou viu poucas vezes na vida. Será mesmo que é um medo infantil? E a empatia? Devemos pensar que pode ser hoje um cliente/paciente, uma criança, uma mulher, um idoso, um paciente claustrofóbico, e amanhã? Pode ser você, posso ser eu, pode ser nossos cônjuges, filhos.
    Com certeza, como cita o artigo, pode-se amenizar o ambiente deixando-o mais aconchegante, mais voltado ao público infantil, mais calmo, com música relaxante, favorecendo um exame diagnóstico mais propício a humanização.
    Mas pergunto, na ressonância magnética e o barulho da máquina? Mesmo com as proteções que são colocadas no pavilhão auricular e no meato auricular, são diversos ruídos em volume alto, extremamente irritante, e dá uma sensação: “termina logo, termina logo”, (experiência própria, ontem em um hospital de 1ª linha), máquina de ressonância muito ruidosa, será que em breve isso terá como ser corrigido?
    E exames que envolvem parte endoscópica…?
    Claro, que como na condição de profissional de saúde, é meu dever encorajar, ensinar, explicar para o cliente sobre como se preparar para o exame, tirar suas dúvidas, acompanhá-lo durante e após o exame. A tecnologia realmente ajuda muito nos diagnósticos, mas lidamos com pessoas, com experiências múltiplas e diferentes em relação ao medo, a apreensão e a ansiedade.

  2. Eliezer Machado Dias

    Caro Edgar, este medo infelizmente faz parte da nossa cultura, aquela ideia infantil de que a injeção dói e o medo de ir ao médico. Em mestrado realizado para o produto ColOff e publicado na Revista Laes & amp; Raes este ano, foram identificados alguns fatores para a desistência do exame de fezes, que não é invasivo, mas, pode ser bastante incômodo. Específicamente na pesquisa de sangue oculto nas fezes para rastreamento de câncer colorretal os argumentos foram: (1) falta de higiene; (2) dificuldade na coleta; e; (3) MEDO DO RESULTADO POSITIVO. Segue link do resumo: http://www.laes-haes.com.br/index.php?edicao-201-avaliacao-de-revestimento-de-assento-sanitario-para-coleta-de-fezes-coloff

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