Recompensas financeiras Não são as melhores para Motivar.

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Continuando com as lições de Fred Lee no seu livro se Disney administrasse seu hospital, consideramos que “a motivação dos funcionários se da através da filosofia do hospital e não por meio de recompensas financeiras”, como a quinta.
E isso mesmo, na Disney não se paga aos funcionários pelo desempenho, nem utilizam os clássicos planos de carreira, onde certa porcentagem de trabalhadores recebem aumentos maiores do que os outros.
Num ambiente de trabalho, onde as pessoas precisam da ajuda e da colaboração entre elas, as relações laterais são simplesmente fundamentais para o sucesso. Por isso, estruturas de incentivo com recompensas individuais, ou mesmo por equipes ou departamentos, não funcionam, e ainda pode ser pior, elas chegam a ser desmotivadoras e até destrutivas.
Para Lee, as recompensas financeiras criam um falso engajamento com a instituição. Além disso, elas só funcionam como estimuladores de curto prazo, porque o funcionário se sente disposto a fazer mais no trabalho, por mais dinheiro e não porque realmente queira fazer. Se por algum motivo essa recompensa for suspensa, automaticamente ele deixará esses compromissos extras.
Para estabelecer essa filosofia, essa cultura, esse sentimento nos funcionários, primeiro os gestores precisam mudar, e a alta administração acreditar que pode sim, criar um vínculo hospital-funcionários. Em muitos hospitais ainda se escutam queixas por parte dos funcionários, que gostariam de ser reconhecidos pelos líderes, ou que o gestor da unidade nunca fala quando trabalham bem, só quando fazem algo errado.
Evidentemente todos os funcionários precisam de reconhecimento, porém esse reconhecimento não pode vir de uma competição entre eles.
Lee ainda comenta que a suspensão de estímulos financeiros faz que as pessoas deixem de fazer inclusive coisas erradas. Um homem velho, especialista em motivação e comportamento humano, gostava de trabalhar no seu jardim. Um dia apareceram dois garotos que gritaram insultos para ele e fugiram, no dia seguinte foi igual e cada vez mais garotos se juntaram para o insultar e rir juntos. O velho os ignorava, porque sabia que uma maneira de se livrar de um comportamento indesejável é ignorá-lo, porém eles não pararam.
O velho também sabia a recompensas extrínsecas geralmente conseguem extinguir a motivação intrínseca, pelo que bolou um plano. Chamou os garotos e disse para eles: sinceramente eu gosto dos seus insultos, e para provar isso, amanhã quem trazer insultos bons, ganhará 25 centavos. Assim, no dia seguinte os garotos lançaram seus insultos mais irados e cada um ganhou uma moeda.
No dia seguinte apareceram mais garotos, para insultá-lo e todos ganharam também. Mas no terceiro dia ao ver a quantidade de gente esperando a recompensa, ele disse, já que são muitos e não posso continuar pagando, amanhã só darei 1 centavo para cada um, pelos insultos. Os garotos ficaram indignados, e um deles falou: o senhor acha que vamos pensar tantos insultos por 1 centavo, agora sim que pirou! Todos eles se recusaram a insultá-lo e sumiram.
Ainda não acredita que a competição e as recompensas financeiras, com bônus, são motivadores de curto prazo? Gostaria provar consigo mesmo? O convido a responder as seguintes perguntas:
  • Se não houvesse bônus ou se todos, sem exceção, recebessem o mesmo bônus para atingir as metas coletivas, você gostaria do seu trabalho do mesmo jeito?
  • Se seu gerente dissesse que você não atingiu as metas, você tentaria melhorar, mesmo sem receber o aumento de salário e bônus? Pensaria em mudar de emprego?
  • Se o resto da sua equipe recebesse 100% bônus e você só 50%, como se sentiria?
  • Se você recebesse uma % menor no aumento de salário que o resto, ainda sentiria que faz parte da equipe?
  • Você seria sincero com seu gestor, quanto ao seu desempenho e as áreas a melhorar se existisse punição financeira?

Por isso, na Disney o aumento anual de salário dos funcionários é feita com base na longevidade dele na empresa. Dessa forma, a organização estimula a sinergia, longevidade e a aprendizagem multiprofissional, no lugar de competição. Ao mesmo tempo são traçadas metas de desenvolvimento pessoal do funcionário, dentro do contexto dos objetivos da equipe. 

Médico especialista em Administração Hospitalar e Marketing em Saúde. CEO da HMDoctors. Assessor da Stratas Partners (Suiça) para o acesso ao mercado hospitalar brasileiro. Consultor de Marketing para Profissionais e Instituições de Saúde e Gestão de Carreira. Palestrante de temas como: Marketing para Profissionais da Saúde, Marketing Digital e em Redes Sociais, Marketing Estratégico para Serviços de Saúde, Branding e Posicionamento de Marca para Instituições de Saúde. Autor da teoria: Os 10 P's do Marketing em Saúde.