Sabe-se que o prontuário do paciente compreende desde a ficha de internação até o relatório de alta médica, nele ainda estão anexados os exames pré-cirúrgicos e relatório do médico anestesista liberando o paciente para realização do procedimento cirúrgico, denominado de pré-anestésico. O prontuário é um documento que tem como o objetivo de registrar todas as informações pertinentes ao processo de assistência à saúde do paciente nas unidades hospitalares, serve como um instrumento de comunicação entre as equipes multidisciplinares e é um extrato para prestação e cobrança de contas, para a saúde financeira da unidade hospitalar, uma vez que se consta nele todos os medicamentos administrados, insumos utilizados e assistências prestadas.

Para uma boa gestão de prontuários e prevenção de glosas, toda unidade hospitalar deve conter uma equipe de Auditores em Saúde, sendo estes voltados para análise da qualidade da assistência prestada e para análise das autorizações, faturamentos e cobranças dos serviços prestados ao paciente durante sua internação na unidade em questão. E cabe ao Auditor ter um grande domínio de suas funções, podendo este domínio ser adquirido através de estudos como pós-graduações em Auditoria e Qualidade em Serviços de Saúde e através de experiência técnica, adquiridas durante a prestação de serviços em saúde na sua trajetória profissional.

Um procedimento cirúrgico envolve grandes valores financeiros para as Unidades Hospitalares, para as Operadoras de Saúde, para o Sistema Único de Saúde ou até mesmo para o paciente, quando se trata de um atendimento particular. Logo toda a assistência prestada e o registro de gastos deve ser realizado de forma criteriosa, evitando desperdícios de insumos e medicamentos, gastos desnecessários, utilizando insumos padronizados para o procedimento cirúrgico, e principalmente atentando para a utilização correta das Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME) previamente autorizados pelas Operadoras de Saúde, que são materiais de alto custo e que são dispendiosos para as operadoras e unidades hospitalares em geral.

As glosas de prontuários são definidas de glosas administrativas, glosas lineares e glosas técnicas, trataremos aqui das glosas administrativas, que são as mais comuns e recorrentes nas unidades hospitalares, elas ocorrem quando é evidenciado, o não cumprimento de parâmetros estabelecidos em contrato, por falhas nos processos administrativos, e muitas das vezes por mudanças nos valores de tabela sem nenhum intercâmbio de informações e até mesmo por falta de comunicação interna da unidade hospitalar sobre as mudanças ocorridas, dentre as glosas administrativas mais comuns, podemos citar

  • Procedimentos, materiais e medicamentos digitados de maneira errada;
  • Registro inadequado ou incompleto das guias de autorização de procedimentos médico-hospitalares;
  • Ausência de guias de autorizações prévias de procedimentos médicos realizados
  • Valores de tabelas referentes a taxas, materiais e medicamentos fora do estipulado no contrato;
  • Médicos não cadastrados na operadora de saúde para realização de tal procedimento cirúrgico.

Para uma melhor gestão e prevenção de glosas dos prontuários pós cirúrgicos, diversas atitudes podem ser adotadas como por exemplo: treinamento e capacitação das equipes multidisciplinares, amplo conhecimento dos contratos e tabelas, elaboração e padronização de manuais, melhora da comunicação entre a unidade hospitalar com as operadoras de saúde, aperfeiçoamento da comunicação entre a equipe multidisciplinar e administrativa da unidade hospitalar e adoção da informatização dos processos de assistência e gestão.

Evitar uma glosa de prontuário pós-cirúrgico é de fundamental importância para as unidades hospitalares, pois a maior parte de suas receitas são adquiridas precisamente dos procedimentos cirúrgicos advindo das operadoras de saúde e estas por muitas ocasiões glosam uma conta/prontuário hospitalar por pretextos absurdos objetivando adquirir tempo para a liquidação das despesas oriundas dos seus clientes. E evitando glosas as unidades hospitalares conseguem uma melhor gestão dos seus recursos, tendo maior e melhor capacidade de inovação, melhor alcance dos objetivos traçados tornando-se então mais competitivas em um mercado e cenário econômico atualmente conturbado.

Enfermeiro – Coordenador Técnico e Comercial de Produtos Médicos Hospitalares. MBA em Gestão da Saúde e Administração Hospitalar pela Faculdade Estácio de Sá de Belo Horizonte. Graduado pela Faculdade Pitágoras de Ipatinga-MG. Foi instrutor do curso de Aperfeiçoamento de Enfermagem em Terapia Intensiva no SENAC/MG de Ipatinga. Tem experiência na Assistência de Enfermagem nos setores de internação na clínica médica e cirúrgica, pronto atendimento, em unidade de cuidados intermediários e atendimento móvel de urgência.

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