Quando se fala em gestão de carreira, existem estudos que trabalham sobre diferentes contextos, o principal, aquele onde a organização propõe um processo compartilhado onde as expectativas individuais de carreira são negociadas com as necessidades organizacionais, e a proposta centrada no indivíduo.

Porém, na prática, devemos saber que existe diferença entre a Gestão de Carreira, propriamente dita, e o Plano de Carreira, que encontramos nas organizações.

O plano de carreira é um instrumento gerencial que a empresa usa com o objetivo de estabelecer trajetórias de carreira, assegurando que os colaboradores tenham perspectivas de desenvolvimento e de ascensão profissional, conciliando as diferentes expectativas de carreira das pessoas com as necessidades organizacionais. Já a gestão de carreira é um planejamento da pessoa para a sua própria carreira profissional, que deveria seguir, independente da empresa em que trabalhe.

O conceito de carreira toma maior amplitude nas nossas vidas e torna-se cada vez mais utilizado em nosso dia-a-dia. Expressões como espaço de vida e projeto de vida também aparecem constantemente nas conceituações de carreira.

Até faz alguns anos, a palavra carreira ou o ter uma carreira se aplicava unicamente a alguém com uma profissão trabalhando em uma única empresa, a maior parte da sua vida profissional e tendo a oportunidade de crescer com uma boa estruturada e progresso econômico constante.

Porém, o cenário atual revela que a carreira tem enfrentado diversas mudanças em torno de suas concepções, em decorrência do avanço tecnológico, globalização, agilidade no processo de comunicação, horizontalização, terceirização, sobreposição de funções, aumento da expectativa de vida, desemprego dentre outros.

Por essa razão, a carreira deve ser pensada como uma estrada que está em constante construção, longe de ser uma estrada plana e asfaltada e que, se bem trilhada, poderá conduzir ao sucesso, à satisfação profissional e pessoal, e a uma compensação financeira também satisfatória.

Segundo a psicóloga Janete Lúcia Pagani Peres, especialista em Gestão de Recursos Humanos em Saúde pela FSP-USP, para se ter uma atuação sobre esta realidade, antes de iniciar um planejamento sobre as oportunidades de carreira que podemos alcançar, é importante refletir, questionar e identificar: Quem eu sou, o que quero, quais são meus interesses e aptidões? O que é importante para mim nesse momento? Quais são meus valores? Quais são meus objetivos no curto, médio e longo prazo?… Todas estas perguntas precisam ser respondidas para você se posicionar diante da vida pessoal e profissional.

A partir do momento em que você tiver isso relativamente delimitado, poderá fazer escolhas mais seguras. Qualquer decisão tem que ser tomada com conhecimento de causa, para que aumente a probabilidade de poder ficar satisfeito com as escolhas que fizer.

Tenha presente que, carreira, de uma maneira sistêmica, relaciona o profissional com o seu meio ambiente no decorrer do tempo. Estabelece uma relação direta com o autoconhecimento de como as experiências pessoais e profissionais relacionam-se com seu trabalho atual e futuro para maximizar suas habilidades e comportamentos e atingir seus objetivos de vida. Dessa forma, Savioli (1991) coloca 4 passos básicos para idealizarmos uma boa gestão de carreira, nas nossas vidas:

  • Autoconhecimento é o fator básico para conscientização dos nossos pontos fortes e os pontos que precisamos desenvolver para melhorar;
  • Aprender com as próprias experiências no campo pessoal e profissional, do nosso trabalho atual, visando um potencial trabalho futuro;
  • Maximizar nossas habilidades utilizando ferramentas de treinamento e desenvolvimento;
  • Utilizando como meta atingir os objetivos de vida, e não apenas os objetivos profissionais, a carreira precisa estar harmonizada com os anseios da vida como família, comunidade, política, cultura, religião, etc.

Diante desse contexto, Drucker (2002), coloca que, cada vez mais, um número substancial e crescente de pessoas tem a possibilidade de fazer escolhas. As pessoas precisam administrar a si próprias e não deixar simplesmente que a organização as gerencie.

Se você não souber quais são suas habilidades e objetivos de carreira, poderá sentir-se atraído facilmente por incentivos como: um cargo maior, uma maior remuneração, carga horária menor, mudança de local do trabalho, etc. Sem que isso signifique necessariamente maior satisfação, por tal vez, não combinarem com você, ou estar em desacordo com seus valores e necessidades em determinada fase da sua vida.

As decisões sobre a carreira não se resumem a momentos episódicos em nossa vida; nem a pegar “oportunidades” pontuais para as quais não estávamos preparados. Somos constantemente confrontados com as mudanças no ambiente a nossa volta e com mudanças em nós mesmos.

Portanto, a melhor maneira de se preparar e se antecipar aos acontecimentos, é traçando um planejamento estratégico da carreira ao longo da vida, pois a medida que a pessoa progride na carreira, automaticamente adquire conceito a seu próprio respeito e muda dependendo da maturidade emocional.

Médico especialista em Administração Hospitalar e Marketing em Saúde. Autor do composto "10 P's do Marketing em Saúde". Professor do curso online Marketing Estratégico para Clínicas e Empresas de Saúde. CEO da HMDoctors, Assessor da Stratas Partners (Suíça) para o acesso ao mercado hospitalar brasileiro, Consultor de Gestão de Carreira e Marketing Médico, e Revisor de artigos e publicações sobre Gestão, Empreendedorismo e Marketing em Saúde para a revista eletrônica Gestão e Saúde da Universidade de Brasília - UNB. Formado em medicina com pós graduação em epidemiologia, formado em administração hospitalar e MBA em organizações hospitalares e sistemas de saúde pela FGV. 16 anos de experiência em hospitais públicos, privados, institutos de pesquisa clínica e consultor para empresas nacionais e multinacionais.

One Thought to “Autoconhecimento: a Chave para uma Boa Gestão de Carreira.”

  1. Rosana Santin

    Concordo com o artigo, porém tenho encontrado muita resistência em ser admitida em hospitais devido a minha experiencia profissional de 23 anos de UTI adulto e Oncologia …apesar de apresentar um bom currículo, passar nos processos seletivos sou vista como uma profissional que procura carreira na área de enfermagem e com isso muitas colegas de profissão não querem correr o risco de perder seus cargos contratando uma profissional que venha preencher as expectativas da empresa e consequentemente alcançar um padrão mais elevado…

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